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A Tabacaria no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 11 de outubro de 2019 0 Comentários

Um dos mais traumáticos períodos da história da humanidade, a Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazista, continua rendendo muitas histórias e filmes. E “A Tabacaria”, do diretor Nikolaus Leytner, é um deles.


Baseado em um best seller de 2012 escrito por Robert Seethaler, “A Tabacaria” é um romance de formação que conta as transformações na vida de Franz (Simon Morzé), um garoto alemão de dezessete anos que é enviado para Viena pela sua mãe (Regina Fritsch) para trabalhar na tabacaria de Otto Trsnjek (Johannes Krisch), velho amigo da família.


Na Austria em vias de ocupação pelos nazistas, Franz se apaixona pela primeira vez e começa uma amizade singular com um frequentador constante da tabacaria: Sigmund Freud, interpretado por Bruno Ganz, brilhante em um dos seus últimos papéis para o cinema antes de seu falecimento.


O dilema entre sair do país ou ali permanecer é uma constante para os personagens e exerce grande influência sobre tudo em suas vidas. Com a ascensão de Hitler ao poder, a obra também retrata as tensões entre os austríacos que apoiavam o ditador e aqueles que não queriam se envolver com o regime nazista.


Apesar de não ser este o propósito do filme, ele demonstra de forma interessante como as relações foram afetadas com a chegada do exército de Hitler ao país.


“A Tabacaria” é um filme que você simplesmente tem que assistir. Ele será exibido no Moviecom Arte nos dias 12 e 13 às 11 horas e no dia 15 de outubro às 14 horas.

Ficha Técnica
Título no Brasil: A Tabacaria
Título original: Der Trafikant
Nacionalidades: Áustria, Alemanha
Gênero: Drama
Ano de produção: 2018
Estréia: 5 de setembro de 2019 (Brasil)
Duração: 1h 54min
Classificação: 16 anos
Direção: Nikolaus Leytner
Roteiro: Nikolaus Leytner, Klaus Richter
Elenco: Bruno Ganz, Simon Morzé, Murari Krishna
Trilha sonora: Matthias Weber
Direção de fotografia: Hermann Dunzendorfer
Edição: Bettina Mazakarini
Design de produção: Bertram Reiter
Direção de arte: Nicole Schmied
Decoração de set: Sarah Gerg
Distribuição: A2 Filmes

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A ARVORE DOS FRUTOS SELVAGENS, no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 21 de agosto de 2019 0 Comentários

No cinema (como nas artes em geral), quase nada é somente o que parece. A “Árvore dos Frutos Selvagens”, do premiado diretor Nuri Bilge Ceylan, transcende facilmente o cinema para tratar da humanidade e os muitos modos de lidar com ela.
Dentro de um contexto de diferenças entre os costumes rurais e urbanos, o filme busca tocar em pontos delicados dialogando com a dificuldade de se manter honesto consigo e com os outros, com a responsabilidade da existência e o enfrentamento da própria insignificância.


A história gira em torno de Sinan (Dogu Demirkol), um jovem que retorna à terra natal, de onde saiu para estudar. Terminada a faculdade, o jovem se vê desempregado e tenta viabilizar a publicação de seu primeiro livro. As dívidas do pai, metido em apostas de corridas de cavalos, tornam tudo mais difícil para o aspirante a escritor.


As reflexões propostas pelo roteiro – assinado pelo próprio Ceylan em conjunto com sua esposa Ebru e o estreante Akin Aksu – mexem em vários vespeiros, das tradições à política, passando inclusive pelas discussões teológicas, pricipalmente sobre a necessidade de adaptação da religião à realidade.


Famoso por planos longos, de diálogos “em tempo real”, sem cortes bruscos, e pelo uso de fotografia naturalista, Ceylan volta suas lentes a um realismo de fundo literário para comentar a Turquia atual com todas suas instabilidades e suas crises, financeira e política.
A arrebatadora direção de fotografia é assinada por Gökhan Tiryaki, que explora com perfeição as nuances entre luz e sombra para cada frame, especialmente quando faz uso da luz natural.


Você precisa assistir “A Árvore dos Frutos Selvagens”, um dos melhores filmes da temporada e que será exibido no Moviecom Arte nos deias 24 e 25 de agosto às 11 horas e no dia 27 de agosto às 14 horas.

Ficha Técnica
Título original: Ahlat Agaci
Nacionalidades: França, Turquia, Alemanha, Bulgária
Gênero: Drama
Ano de produção: 2019
Estréia: 6 de junho de 2019 (Brasil)
Duração: 3h 08min
Direção: Nuri Bilge Ceylan
Roteiro: Nuri Bilge Ceylan, Akin Aksu, Ebru Ceylan
Elenco: Aydin Dogu Demirkol, Murat Cemcir, Bennu Yildirimlar
Direção de fotografia: Gökhan Tiryaki
Edição: Nuri Bilge Ceylan
Design de produção: Meral Aktan
Figurino: Demet Kadizade
Distribuição: Fênix Filmes

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Jornada da Vida, no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 8 de agosto de 2019 0 Comentários

Uma fábula simples mas carregada de densidade, “Jornada da Vida” é o novo longa de Phillippe Godeau que conta a jornada de Yao, um garoto (vivido pelo estreante Lionel Louis Basse) para encontrar seu escritor favorito, Seydou Tall (Omar Sy).


Yao mora numa comunidade no interior do Senegal e, ao descobrir que seu escritor favorito vem ao país participar da Bienal, desloca-se quase 400 quilômetros por um autográfo do ídolo. Comovido pelo empenho do garoto, Seydou se dispõe a levá-lo de volta à sua casa. A partir daí, vemos uma espécie de road movie que faz Seydou, um francês de família senegalesa, como muitos na França, reencontrar-se com suas origens africanas.


A direção de Phillipe Godeau traz uma poesia visual para compor a ambientação senegalesa. Planos inspirados fazem dessa história profunda também um prazer visual pelo que aquele país tem de belo e também de feio.
A presença da religião e o tema da colonização marcam fortemente o roteiro, fazendo com que essa produção seja também uma obra decolonial, ou seja, através da qual se repensa algumas das consequências da dominação de países externos sobre outros – como se deu no Brasil por Portugal e no Senegal pela França.


“Jornada da Vida” conduz o espectador a uma viagem cheia de cor e força. Um deleite para quem busca outras narrativas e pontos de vista na tela grande.
Este é o filme que o Moviecom Arte apresenta nos dias 10 e 11 de agosto às 11 horas e no dia 13 de agosto às 14 horas.

Ficha Técnica
Título original: Yao
Nacionalidades: França, Senegal
Gêneros: Drama, Comédia
Ano de produção: 2018
Estréia: 18 de julho de 2019 (Brasil)
Duração: 1h 44min
Classificação: 10 anos
Direção: Philippe Godeau
Elenco: Omar Sy, Gwendolyn Gourvenec e Fatoumata Diawara
Roteiro: Philippe Godeau, Agnès de Sacy
Trilha sonora: Matthieu Chedid
Direção de fotografia: Jean-Marc Fabre
Edição: Hervé de Luze
Distribuição: California Filmes

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A Grande Dama do Cinema, No Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 5 de julho de 2019 0 Comentários

Com apenas 6 atores e 3 locações, “A Grande Dama do Cinema” é um longa surpreendente do oscarizado diretor argentino Juan José Campanella.


Mara Ordaz, personagem central da trama, remete à Nora Desmond, protagonista de “Crepúsculo dos Deuses” (o clássico de Billy Wilder, de 1950). Mara foi uma estrela na juventude, chegou a ganhar um grande prêmio internacional (o Oscar?), mas foi esquecida com o passar dos anos.
Afastada das telas há décadas, Mara vive em uma velha mansão decadente nas cercanias de Buenos Aires com o marido paraplégico, o também ator Pedro (Luis Brandoni), o cineasta Norberto (Oscar Maritnez) e o roteirista Martin (Marcos Mundstock), todos no ostracismo, assim como ela.


Baseado no romance El Cuento de las Comadrejas, “A Grande Dama do Cinema” brinca com as convenções do melodrama para construir uma saborosa farsa sobre o próprio cinema. É ao mesmo tempo muito engraçado e bastante cruel em sua visão sobre o envelhecer em uma indústria que endeusa a juventude.


O convívio entre Marta, Pedro, Norberto e Martin reproduz de certa forma a teia de relações que um dia tiveram, quando ainda estavam na ativa. Ela, nas posição de diva, ainda que na obscuridade, os tiraniza. O marido nunca teve uma carreira a sua altura, e os outros dois de certa forma tiveram suas carreiras atreladas à dela. A imensa casa onde vivem isolados do mundo real, é um mausoléu de lembranças, forrado de cartazes, fotos, troféus e lembranças. Dividem espaço com ratos e a falta de dinheiro.


Tudo muda quando entram cena dois jovens aparentemente deslumbrados com o passado glorioso de Mara. Eles prometem levá-la de volta à ribalta e tentam convencê-la a vender a casa, sem levar em consideração que ela não vive só, que sua vida está profundamente ligada a de seus companheiros. Carente de atenção e seduzida pela possibilidade de resgatar seus dias de estrela, ela sucumbe.


A trama, cheia de reviravoltas, é, no fundo, uma grande homenagem ao cinema, tanto aos seus gêneros e formatos narrativos quanto a sua mística, por vezes aterrorizante, assim como em Crepúsculo dos Deuses.
Campanella prova, mais uma vez, ser um hábil artesão, um ótimo contador de histórias. O elenco de grandes veteranos do cinema argentino dá um verdadeiro show de interpretação e são o ponto alto deste filme.
Estrelado por Graciela Borges, Luis Brandoni e Oscar Martinez, “A Grande Dama do Cinema” é o filme que o Moviecom Arte apresenta nos dias 06 e 07 de julho, às 11 horas.

Ficha Técnica
Título original: El cuento de las comadrejas
Nacionalidades: Argentina, Espanha
Gêneros: Comédia, Drama
Ano de produção: 2019
Estréia: 16 de maio de 2019 (Brasil)
Duração: 2h 03min
Direção: Juan José Campanella
Elenco; Graciela Borges, Oscar Martínez, Luis Brandoni, Marcos Mundstock, Clara Lago, Nicolás Francella e Maru Zapata
Roteiro: Juan José Campanella
Trilha sonora: Emilio Kauderer
Direção de fotografia: Félix Monti
Direção de arte: Nelson Noel Luty
Figurino: Cecilia Monti
Distribuição: Fênix Filmes

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Abril no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 4 de abril de 2019 0 Comentários

Segundo Walter Salles Júnior, o papel principal do cinema “é gerar uma memória de nós mesmos”, refletir o retrato de uma sociedade num dado momento.
Contando histórias e a própria História, o Moviecom Arte traz uma programação especial para o mês de abril. Uma seleção feita a dedo com o melhor da produção cinematográfica independente da atualidade.
Confira e marque na sua agenda.

DIAS 06, 07 E 09
VICE, de Adam McKay

Com uma carreira sólida no reino das comédias de gosto duvidoso, Adam McKay surpreende em “Vice”, seu mais recente trabalho, que chegou com 8 indicações ao Oscar 2.019.
O filme nos coloca em um momento crucial na vida de Dick Cheney, vice-presidente dos Estados Unidos, durante os ataques terroristas de 11 de setembro. Conforme seguimos a agitação dos funcionários da Casa Branca somos transportados para Wyoming de 1963, onde Cheney é um jovem trabalhador braçal, bêbado, sem perspectivas que acabara de largar a faculdade e é pressionado pela esposa para achar um caminho na vida.

Com muito humor e uma linguagem extremamente acessiva, o diretor segue acompanhando a carreira de Cheney, saltando para 1969 quando trabalhou com Donald Rumsfeld, assessor econômico de Nixon, tornando-se um agente político experiente enquanto conciliava a vida em família, chegando até ao cargo de chefe de gabinete da Casa Branca para o presidente Gerald Ford, enquanto Rumsfeld se torna secretário de Defesa.

Mesmo sem nunca permitir a total empatia pelo protagonista, Adam McKay ainda consegue entregar momentos de humanidade dentro de um personagem tão moralmente lacônico. Com a saída dos republicanos da Casa Branca o político veterano resolve concorrer para o congresso, época em que sofre seu primeiro ataque cardíaco.

A história de Cheney é atraente por si só, mas é a performance de Christian Bale que realmente entrega o engenho ardiloso por trás de suas ações. Se a transformação física já é impressionante, é a atenção aos gestos, cacoetes e até mesmo timbre de voz que esconde a malícia do personagem. Como o próprio Bale “brincou” em seu discurso de agradecimento pela estatueta de melhor ator no Globo de Ouro, Satã foi sua maior inspiração para o papel; deixando assim bem claro o sabor diabólico de sua interpretação.

“Vice”, de Adam McKay, será exibido no Moviecom Arte dias 06 e 07 às 11 horas e no dia 09 às 14 horas.

 

DIAS 13, 14 E 16 DE ABRIL
A MULA, de Clint Eastwood

Clint Eastwood é uma das grandes lendas do cinema. Com mais de 6 décadas à frente e por trás das câmeras ele anuncia aos 89 anos sua aposentadoria.
Para a despedida das telas, Clint escolheu o filme “A Mula”, um roteiro de Nick Schenk baseado em uma história real, que ele dirige e protagoniza.
Mais amável e menos turrão que em seus filmes anteriores, Clint Eastwood interpreta Leo Sharp, um homem que coleciona uma série de honras que vão desde de prêmios por seus trabalhos como paisagista e decorador até o reconhecimento por ter lutado contra os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.


No entanto, foi aos 90 anos que conquistou algo surpreendente: ele foi preso por portar o equivalente a três milhões de dólares em cocaína no seu carro, uma picape velha, no Michigan. Sharp era o líder do Sinaloa, um cartel de drogas no México e foi sentenciado à três anos de cadeia.
“A Mula” conta ainda com um time de estrelas de primeira linha em seu elenco, como Bradley Cooper, Andy Garcia, Talissa Farmiga e Alison Eastwood.
Este é o filme que exibiremos para você no Moviecom Arte dos dias 13 e 14 às 11 horas e dia 16 às 14 horas. Imperdível.

DIAS 20, 21 E 23 DE ABRIL
QUERIDO MENINO, de  Felix van Groeningen

Estrelado por Steve Carell e Timothée Chalamet, “Querido Menino” é dirigido pelo belga Felix van Groeningen e conta a história de David Sheff, respeitado jornalista e escritor, pai de três filhos, sendo um destes Nic Sheff, seu primogênito da primeira união. Apesar do garoto ser um jovem muito inteligente, amável e gentil com todos, não conseguiu fugir do vício nas drogas, principalmente após experimentar metanfetaminas. Esta compulsão de Nic abala as estruturas familiares, especialmente seu pai David, que busca a todo custo entender a dependência de seu filho.


Esta é a primeira grande empreitada de Felix van Groeningen em Hollywood e o diretor optou por uma direção discreta onde o espectador acompanha a aflição de um pai que negligencia a atual esposa e outros dois filhos para preocupar-se a todo instante com o primogênito.
Steve Carell entrega uma atuação regular e emotiva, em que seu personagem chega a experimentar o ópio em busca de entender o que o filho sente. Mas o destaque fica com a enérgica atuação de Timothée Chalamet.
Venha conferir este realista e belo drama no Moviecom Arte dos dias 20 e 21 às 11 horas e dia 23 às 14 horas.

DIAS 27, 28 E 30 DE ABRIL

SUPREMA, de Mimi Leder

O drama biográfico “Suprema” conta a história de Ruth Bader Ginsburg, a segunda mulher que se tornou juíza da Suprema Corte Americana.
Dirigido por Mimi Leder e trazendo Felicity Jones no papel principal, “Suprema” mostra a luta de Ginsburg contra a desigualdade de gênero, bem como o papel dos jovens nas mudança de ideia de uma geração.


Jane, a filha de Ginsburg, é uma das personagens mais intrigantes do filme: com apenas 15 anos, a menina é responsável por mostrar à mãe que a transformação da mentalidade das próximas gerações já estava acontecendo, e que as leis precisavam mudar para acompanhar esse processo.
Ruth Bader Ginsburg se tornou um símbolo da luta pelos direitos iguais para as mulheres e atualmente, aos 85 anos, ainda é referência para as gerações atuais.
Este é o filme que escolhemos para exibição no Moviecom Arte dos dias 27 e 28 às 11 horas e dia 30 às 14 horas.

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A Ópera de Paris no Sala Cult

Postado porTemperos de Cinema 1 de abril de 2018 0 Comentários

Por trás da beleza e grandiosidade dos espetáculos, A Ópera de Paris também tem o seu lado mundano, como o de qualquer grande empresa. É o que nos mostra o brilhante documentário, de Jean-Stéphane Bron, aclamado e premiado no Festival Internacional de Cinema de Moscou.


Criada em 1669 por Pierre Perrin, em 360 anos de história a Ópera de Paris consolidou-se não só como a instituição cultural mais bem sucedida e famosa da França, mas também como um dos pilares da formação da identidade cultural francesa.
Jean-Stéphane Bron literalmente viveu toda uma temporada da Ópera e nos leva a participar de forma privilegiada das reuniões executivas, das seleções de artistas, dos ensaios e das noites de gala… E também a testemunhar paixões, vaidades, a luta pelo estrelato, o serviço pesado dos operários e as ameaças de greve.


O documentário é conciso e flui de forma natural e envolvente, característica não muito comum ao filmes do gênero. E tem cenas memoráveis como a emoção das crianças na escola que a Ópera de Paris mantém para alunos carentes.
Essa estadia de quase duas horas suntuoso Palácio Garnier, inaugurado em 1875, que abriga a Ópera de Paris, é absolutamente fascinante e enriquecedora. E você poderá desfrutá-la no Sala Cult, o espaço para o cinema independente e de arte do Paineiras Shoppíng.

Ficha Técnica
Título: A Ópera de Paris
Título original: L’opéra de Paris
Direção: Jean-Stéphane Bron
Roteiro: Jean-Stéphane Bron
Produção: Les Films Pelléas, Bande à Part Films
Fotografia: Blaise Harrison
Edição: Julie Lena
Gênero: Documentário
País: França
Ano: 2017
Duração: 110min
Distribuição: Imovision

Datas e Horários de Exibição no Sala Cult:
– 01 de Abril (domingo) às 16 e 19 horas
– 05 e 06 de Abril (quinta e sexta-feira) às 19 horas
– 07 de Abril (sábado) às 16 e 19 horas

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The Square, A Arte da Discórdia

Postado porTemperos de Cinema 25 de março de 2018 0 Comentários

O poeta russo Vladimir Maiakóvski disse que “A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo”, no entanto, muitas vezes o reflexo no espelho da arte é fundamental para perceber o que e o quanto é necessário mudar.
E é isso o que mostra e faz o filme “The Square, A Arte da Discórdia”, do sueco Ruben Östlund, expondo de forma brilhante, cruel e realista a hipocrisia da sociedade, tomando como ponto de partida a arte contemporânea e seu papel dentro dessa sociedade.

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O filme se passa na Suécia, país nórdico conhecido pela qualidade de vida, pelo alto nível cultural, pela educação de seu povo, pela ausência de preconceitos… sim, só que não. Para quem pensa que é só aqui no 3º mundo que as pessoas são capazes de apedrejar museus, “The Square” mostra que a hipocrisia e a ignorância é uma epidemia de proporções globais.
Destruindo aquela imagem vendida de país onde tudo é perfeito, esta obra mostra ainda as diferenças sociais, a violência e o preconceito que também existem na Suécia. As cenas dos moradores de rua e as que se passam nos subúrbios de Estocolmo são reveladoras. Como disse o nosso poeta Arnaldo Antunes, “miséria é miséria em qualquer canto”.

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Mas o foco principal de Ruben Östlund é a burguesia pseudo civilizada e culta. E ele não poupa ninguém. Mostra o papel da publicidade na propagação da cultura da violência, a imbecilidade dos novos profissionais de imprensa e a deturpação da informação, a mediocridade das classes sociais pretensamente culta e educadas mas que também são capazes de muitas violências, inclusive a violência da omissão.

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Há cenas hilárias, como uma que mostra os convidados de uma vernissage desesperados para atacar o buffet; cenas emblemáticas, como a da ativista no centro de Estocolmo perguntando aos pedestres se eles querem salvar uma vida, ao que eles respondem negativamente; e algumas cenas antológicas, como a cena do casal que briga pela posse do preservativo cheio de esperma após o sexo.

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O ponto alto do filme, no entanto é a performance de um artista durante um elegante jantar oferecido aos mantenedores de um importante museu de arte contemporânea. Ele representa uma mistura do Incrível Hulk (versão nórdica) com um troglodita e promove ataques cada vez mais violentos aos convidados. A tensão da cena vai crescendo vertiginosamente, deixando os presentes encurralados, com medo, de cabeça baixa e em silêncio tentando não chamar a atenção do selvagem. Quando a situação foge completamente ao controle dos organizadores e o artista parece ter sido dominado pelo personagem, a performance alcança seu objetivo: revelar os trogloditas disfarçados sob smokings e vestidos de seda.

Essa cena (inspirada em uma performance real do artista Oleg Kulik em 1990) é também uma profunda reflexão sobre os limites da arte. E depois de assisti-la confirmo minha convicção de que a arte não pode ter limites, principalmente porque a nossa hipocrisia não tem limites.
Qualquer pessoa com o mínimo de coerência e bom senso, sai do cinema com um reforçado sentimento de vergonha do alheio e de si próprio. Estamos todos nós ali representados em nossa mesquinhez, nossa pequenez e nossa hipocrisia.


A proposta do diretor ao nos colocar de frente para esse espelho é nos obrigar a reconhecer isso, assim como faz o personagem principal, o diretor do museu (brilhantemente interpretado pelo charmoso Claes Bang), que ao final da história assume e se desculpa por sua própria mediocridade.
Indicado ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro e ganhador da Palma de Ouro em Cannes, “The Square” é um filme obrigatório para os dias de hoje, sobretudo no Brasil onde a mediocridade e a hipocrisia nem mais se disfarçam.

(Resenha por Marco Antonio Andre)

Este é o filme que você pode assistir no Sala Cult nos dias 25 de março às 16 e 19 horas, 29 e 30 de março às 19 horas, e 31 de março às 16 e 19 horas.

O Sala Cult é um espaço no Paineiras Shopping, em Jundiaí, para o cinema independente, com curadoria de Fátima Augusto.

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Ficha Tecnica

  • Titulo original: The Square
  • Nacionalidades: Suécia, Alemanha, Dinamarca, França
  • Gênero: Comédia dramática
  • Ano de produção: 2017
  • Duração: 2h 22 minutos
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Ruben Östlund
  • Roteiro: Ruben Östlund
  • Produção: Katja Adomeit, Philippe Bober, Tomas Eskilsson, Dan Friedkin, Erik Hemmendorff, Agneta Perman, Bradley Thomas
  • Fotografia: Fredrik Wenzel
  • Edição: Jacob Secher Schulsinger, Ruben Östlund
  • Design de produção: Josefin Åsberg
  • Figurino: Sofie Krunegård
  • Estúdios: Plattform Produktion, Arte France Cinéma, Coproduction Office, Det Danske Filminstitut, Essential Filmproduktion GmbH, Film i Väst
  • Distribuição: Pandora Filmes
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Manifesto no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 21 de novembro de 2017 0 Comentários

No Brasil recente a Arte está no centro de discussões calorosas e controversas, expondo muito além do conhecimento (ou a falta dele) do grande público sobre essa importante e complexa atividade humana que manifesta ideias e registra nossa evolução através dos tempos.
Esse cenário não poderia ser mais interessante para o lançamento de um filme que trata justamente dos manifestos de arte e suas aplicações na sociedade contemporânea.

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“Manifesto”, filme do diretor alemão Julian Rosefeldt, não vem para elucidar nada disso mas talvez para confundir ainda mais. Composto de monólogos interpretados pela diva Cate Blanchett, “Manifesto” brinca com vários manifestos, de Lars von Trier a Tristan Tzara, provocando uma boa reflexão sobre a vanguarda da arte, aproximando-a e contrapondo-a a movimentos de outros períodos da história.

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Cate Blanchett dá um show à parte, levando todo o filme e interpretando 13 personagens completamente diferentes, nos presenteando com sua versatilidade e uma sensibilidade ímpar para compor personagens.
O filme estreou com uma certa polêmica mas caiu direto no gosto dos intelectuais, cinéfilos e admiradores da Arte. Com certeza, este é um filme que você dificilmente verá no circuito comercial.

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Este é o filme da semana no Moviecom Arte, dias 25 e 26 de novembro às 11 horas e dia 28 de novembro às 14 horas.

Ficha Técnica
Direção: Julian Rosefeldt
Gênero: Drama
Roteiro: Julian Rosefeldt
Fotografia: Christoph Krauss
País de Origem: Alemanha e Austrália
Elenco: Andrew Upton, Carl Dietrich, Cate Blanchett, Ea-Ja Kim, Erika Bauer, Hannelore Ohlendorf, Jimmy Trash, Marie Borkowski Foedrowitz, Marina Michael, Ottokar Sachse, Ralf Tempel, Ruby Bustamante
Distribuidora: Mares Filmes

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