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As Falsas Confidências

Postado porTemperos de Cinema 15 de Abril de 2018 0 Comentários

Gravado nos bastidores do lendário Teatro Odéon ( inaugurado em 9 de Abril de 1782 pela rainha Maria Antonieta), “As Falsas Confidências” é um texto clássico de Pierre de Marivaux (1688-1763), um dos grandes nomes da literatura e da dramaturgia francesa.


O polêmico mas indiscutivelmente talentoso diretor Luc Bondy dirigiu a peça em 2014 com um elenco de super estrelas da França, entre as quais a grande dama Bulle Ogier, a diva Isabelle Huppert, o reverenciado Yves Jacques e o jovem galã Louis Garrel. O mesmo elenco voltou ao palco em 2015 para uma curta temporada e aceitou a proposta de Bondy e Marie-Louise Bischofberger para filmar.


Este foi o último trabalho de Bondy, que faleceu em novembro de 2015, aos 67 anos. E não poderia ser mais perfeito o desfecho para uma carreira tão brilhante. Produzido originalmente para a TV francesa o registro cinematográfico de “As Falsas Confidências”, supera as definições de cinema e teatro para transformar-se em uma obra de arte única.


Os porões, jardins, camarins e a muitas escadas do Teatro Odéon de Paris são o cenário para a história cômica de Dorante (Louis Garrel), o jovem secretário particular da rica viúva Madame Araminte (Isabelle Huppert) e seus mirabolantes e cômicos planos para conquistá-la.


No roteiro de Luc Bondy e Geoffrey Layton não fica claro se o protagonista está apenas atrás da fortuna da madame ou se realmente é apaixonado por ela. Na verdade o foco de “As Falsas Confidências” está na desigualdade social e nos abismos que separam pessoas mesmo quando estão muito próximas.


Além de todos os atrativos já listados, “As Falsas Confidências” merece ser visto também pela excepcional atuação de seu núcleo principal. A diva Isabelle Huppert, em particular, surge tão hipnotizante que facilmente nos coloca no lugar do jovem Dorante e ficamos todos apaixonados pela Madame.

Este é o filme que estreia hoje no Sala Cult do Paineiras Shopping, com sessões às 16 e 19 horas. Outras sessões: Dias 19 e 20 de abril às 19 horas e dia 21 de abril às 16 e 19 horas.

Ficha Técnica
Título: As falsas confidências
Título Original: Les fausses confidences
País de Origem: França
Ano de produção: 2016
Gênero: Comédia Dramática
Duração: 87 min
Classificação: 12 anos
Direção: Luc Bondy e Marie-Louise Bischofberger
Roteiro Adaptado: Luc Bondy e Geoffrey Layton
Elenco: Isabelle Huppert, Louis Garrel, Bulle Ogier, Yves Jacques
Produtor: Pierre-Olivier Bardet
Música: Bruno Coulais
Fotografia: Luciano Tovoli
Design de Produção: Aurore Vullierme
Figurino: Moidele Bickel
Distribuição: Supo Mungam Films

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O Feminismo Além do Feminismo em A Número Um

Postado porTemperos de Cinema 11 de Abril de 2018 0 Comentários

Emmanuelle Blachey é uma mulher como milhões de outras em todo o mundo, tendo que dar conta da casa, dos filhos, cuidar do pai idoso e ainda ser uma profissional dedicada em um ambiente de trabalho onde a mulher é menos valorizada que os homens.
Embora o tema central do filme “A Número Um” gire em torno do machismo que insistie e resiste nos meios corporativos, esta obra da diretora francesa Tonie Marshall não levanta a bandeira do feminismo e se limita a mostrar apenas a realidade de uma mulher e sua luta nos bastidores de uma disputa pelo poder.


Brilhantemente interpretada por Emmanuelle Devos a personagem Emmanuelle Blachey é uma executiva de uma empresa de energia que, incentivada por um clube feminista, resolve competir pela presidência de uma importante indústria francesa de água.


Sempre distante das discussões feministas a personagem no entanto vê na proposta uma ótima oportnidade de crescimento profissional e ao aceitar o desafio abre seus olhos para essa triste realidade. “A Número Um” mostra que o empoderamento maior da mulher é sua conscientização, muito antes de seu sucesso profissional.
Este é o filme da semana no Moviecom Arte com sessões nos dias 14 e 15 de Abril às 11 horas e dia 17 de abril às 14 horas.

Ficha Técnica
Título: A Número Um
Título original: Numéro Une
Nacionalidade: França
Gênero: Comédia dramática
Ano de produção: 2017
Duração: 1h 50 minutos
Direção: Tonie Marshall
Roteiro: Tonie Marshall, Raphaëlle Bacqué, Marion Doussot
Elenco: Emmanuelle Devos, Richard Berry, Sami Frey Suzanne Clément, Anne Azoulay, Benjamin Biolay, Carole Bouquet e Francine Bergé
Trilha sonora: Fabien Kourtzer, Mike Kourtzer
Direção de fotografia: Julien Roux
Edição: Marie-Pierre Frappier
Design de produção: Anna Falguères
Decoração de set: Matthieu Guy
Figurino: Anne Autran, Elisabeth Tavernier
Distribuição: Imovision

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A Livraria, na Sala Cult

Postado porTemperos de Cinema 7 de Abril de 2018 0 Comentários

Livros são os sonhos de muitos e o pesadelo de outros tantos. “A Livraria”, um belíssimo filme da diretora espanhola Isabel Coixet, mostra a batalha entre o bem e o mal, personificados nos personagens da sonhadora dona de uma livraria e uma vilã tão poderosa quanto perversa.


O roteiro adaptado pela própria Coixet a partir do best seller “The Bookshop”, da escritora inglesa Penélope Fitzgerald, vai muito além do maniqueísmo, para mostrar que a vida só faz sentido quando se tem uma motivação, seja ela para o bem ou para o mal.

Ninguém pode se sentir sozinho entre livros.

A trama gira em torno de Florence Green (Emily Mortimer), uma viúva sem filhos, apaixonada por livros e que decide realizar seu sonho de ter uma livraria, buscando dar sentido à sua vida. Ela compra uma casa abandonada, a “Old House”, onde monta sua residência e a livraria.


Talvez buscando também algo para dar sentido à sua vida, Violet Gamard (Patricia Clarkson), poderosa socialite esposa de um militar, começa uma cruzada contra o sonho de Florence, disposta a fazer qualquer coisa para fechar a livraria.
Dois outros personagens mercem destaque na trama: a pequena ajudante da livraria e o primeiro cliente. A menina representa a inocência que busca abrigo no universo de sonhos criados pelos livros. Já o primeiro cliente é um homem velho, que representa a desilusão, que igualmente busca abrigo nos livros.


Ganhador dos Prêmios Goya de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, “A Livraria” é um filme delicado, sensível e envolvente, que você poderá assistir esta semana no Sala Cult no Paineiras Shopping, nas sessões:
– Domingo, dia 08 de abril às 16 e 19 horas
– Quinta e Sexta, dias 12 e 13 de abril, às 19 horas
– Sábado, dia 14 de abril, às 16 e 19 horas

Ficha Tecnica
Título: A Livraria
Título original: The Bookshop
Nacionalidades: Espanha, Reino Unido, Alemanha
Gênero: Drama
Ano de produção: 2017
Estréia: 22 de março de 2018 (Brasil)
Duração: 1h 53 minutos
Classificação: 10 anos
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet. Baseado no livro escrito por Penelope Fitzgerald
Elenco: Emily Mortimer, Patricia Clarkson, Bill Nighy
Produção: Jaume Banacolocha, Joan Bas, Jordi Berenguer, Adolfo Blanco, Sol Bondy, Alex Boyd, Ricardo Marco Budé, Chris Curling, Manuel Monzón, Paz Recolons, Fernando Riera, Albert Sagalés, Ignacio Salazar-Simpson, Thierry Wase-Bailey, Jamila Wenske, Henriette Wollmann
Trilha sonora: Alfonso de Vilallonga
Direção de fotografia: Jean-Claude Larrieu
Edição: Bernat Aragonés
Direção de arte: Marc Pou
Figurino: Mercè Paloma
Distribuição: Cineart Filmes

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Em Pedaços, no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 6 de Abril de 2018 0 Comentários

Escrito e dirigido por Faith Akin, “Em Pedaços” foi selecionado para representar a Alemanha no Oscar 2018 mas ficou fora da lista final de indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.


Com inspiração hollywodiana este drama cheio de reviravoltas começa com o casamento de um presidiário, o traficante Nuri (Numan Acar) e a jovem Katja (Diane Kruger). Um salto no tempo e encontramos o casal com um filho, vivendo como uma família comum, estabelecida e feliz..
Tudo muda quando Katja perde o marido e o filho em um atentado terrorista. Em uma atuação que lhe valeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, Diane Kruger imprime tanta veracidade à sua interpretação que é impossível não sofrer junto com a personagem nesse momento de dor.


E quando tudo parece girar em torno do sofrimento e a necessidade de recomeçar da personagem, a discussão sobre o atentado assume o primeiro plano e o filme se volta para a bordagem de temas como a intolerância racial, questões políticas e sociais. Em mais uma reviravolta na trama, a personagem vai fazer justiça pelas próprias mãos.
Este é o filme da semana no Moviecom Arte, projeto exclusivo do Moviecom Cinemas do Maxi Shopping Jundiaí, que abre espaço para o cinema independente e de arte. Você poderá vê-lo nos dias 07 e 08 de abril às 11 horas e no dia 10 de abril às 14 horas.

Ficha Técnica
Título: Em Pedaços
Titulo Original: Aus dem Nichts
Nacionalidades: Alemanha, França
Gêneros: Drama, Suspense
Ano de produção: 2017
Duração: 1h 46 minutos
Direção: Fatih Akın
Roteiro: Fatih Akin, Hark Bohm
Elenco: Diane Kruger, Numan Acar, Ulrich Tukur
Produção: Fatih Akin, Mélita Toscan du Plantier, Ann-Kristin Hofmann, Nurhan Sekerci-Porst
Música: Josh Homme
Fotografia: Rainer Klausmann
Edição: Andrew Bird
Produção de Design: Tamo Kunz
Direção de arte: Seth Turner
Figurino: Katrin Aschendorf
Estúdio: Bombero International, Macassar Productions
Distribuição: Imovision 

 

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Programação de Abril do Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 6 de Abril de 2018 0 Comentários

O cinema alemão, o cinema francês, o cinema americano e o cinema russo estão devidamente representados por seus cineastas mais contemporâneos e talentosos, nesta seleção de filmes imperdíveis que o Moviecom Arte traz para você.

DIAS 07,08 E 10 DE ABRIL
EM PEDAÇOS

Escrito e dirigido por Faith Akin, “Em Pedaços” foi selecionado para representar a Alemanha no Oscar 2018 mas ficou fora da lista final de indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Com inspiração hollywwodiana este drama cheio de reviravoltas começa com o casamento de um presidiário, o traficante Nuri (Numan Acar) e a jovem Katja (Diane Kruger). Um salto no tempo e encontramos o casal com um filho, vivendo como uma família comum, estabelecida e feliz..
Tudo muda quando Katja perde o marido e o filho em um atentado terrorista. Em uma atuação que lhe valeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, Diane Kruger imprime tanta veracidade à sua interpretação que é impossível não sofrer junto com a personagem nesse momento de dor.
E quando tudo parece girar em torno do sofrimento e a necessidade de recomeçar da personagem, a discussão sobre o atentado assume o primeiro plano e o filme se volta para a bordagem de temas como a intolerância racial, questões políticas e sociais. Em mais uma reviravolta na trama, a personagem vai fazer justiça pelas próprias mãos.

DIAS 14, 15 E 17 DE ABRIL
A NÚMERO UM

Embora o tema central do filme “A Número Um” gire em torno do machismo que insistie e resiste nos meios corporativos, esta obra da diretora francesa Tonie Marshall não levanta a bandeira do feminismo e se limita a mostrar apenas a realidade de uma executiva nos bastidores de uma disputa pelo poder.
Brilhantemente interpretada por Emmanuelle Devos a personagem Emmanuelle Blachey é uma executiva de uma empresa de energia eólica que, incentivada por um clube feminista, entra da disputa pela presidência de uma importante indústria francesa de água.
Sempre distante das discussões feministas a personagem no entanto vê na proposta um ótima oportnidade de crescimento profissional e ao aceitar o desafio abre seus olhos para a triste realidade de milhões de mulheres em todo o mundo, até hoje subjugadas pelo simples fato de não serem homens.
“A Número Um” mostra que o empoderamento maior da mulher é sua conscientização, muito antes de seu sucesso profissional.

DIAS 21, 22 E 24 DE ABRIL
EU, TONYA

A história da patinadora Tonya Harding era a grande favorita de muitos cinéfilos e críticos ao Oscar 2018. Contudo o filme dirigido por Graig Gillespie recebeu apenas 3 indicações e não levou neNhuma.
“Eu, Tonya” tem a seu favor a interpretação impecável de Margot Robbie, vivendo as diversas fases da vida da polêmica patinadora americana que se tornou um mito entre os anos 80 e 90 mas viu sua fama despencar em 1994, quando teve seu nome injustamente envolvido em um grande escandalo armado por sua principal concorrente.
Outro ponto alto do filme é o roteiro de Steven Rogers baseado na biografia e relatos da própria Tony Harding, tida por muitos como louca e incorreta. Sua infância problemática, o estrelato, os abusos que sofreu, o esquecimento… tudo é mostrado no filme de forma muito original, fugindo aos modelos tradicionais de uma biografia.

DIAS 28, 29 DE ABRIL E 01 DE MAIO
SEM AMOR

Representando a Russia no Oscar 2018, “Sem Amor” é uma verdadeira obra de arte dirigida por Andrey Zvyagintsev, um dos grandes nomes do cinema europeu contemporâneo.
“Sem Amor” é um filme sobre a frivolidade nas relações humanas de uma forma geral. E é interessante o modo como Zvyagintsev parte de uma simples narrativa de um acontecimento em um universo micro, transformando-a em uma metáfora que nos obriga a refletir sobre seus milhares de desdobamentos no mundo atual.
A história mostra um casal que está divorciando-se e única coisa que resta daquela união frustrada é uma criança extremamente abalada com essa separação e as constantes brigas que ecoam pelo apartamento da família.
Na nova vida desse homem e dessa mulher não sobra espaço e nem atenção para a criança, que passa a ser completamente ignorada até que um dia desaparece, completa e misteriosamente.
O diretor do pesadíssimo “Leviatã”, que também concorreu ao Oscar em 2014, surpreende mais uma vez com uma obra que mostra não só a decadência humana mas também a decadência de seu país, a Russia, sendo um a conseuência da decadência do outro.
Decadência essa que não conhece fronteiras e hoje atinge grande parte da sociedade mundial.

 

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O Moviecom Arte é um projeto da publicitária e produtora Fátima Augusto em parceria com o Moviecom Jundiaí, que há 1o anos traz para a cidade filmes de arte e que não entram no circuito comercial.

Com um horário alternativo dentro da programação do cinema, o Moviecom Arte acontece todos os sábados e domingos às 11 horas e tem ingressos a R$ 10,50 e R$ 5,25.

Moviecom Jundiaí fica no Maxi Shopping – Av. Antônio Frederico Ozanan, 6000 – Vila Rio Branco, Jundiaí – SP

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A Ópera de Paris no Sala Cult

Postado porTemperos de Cinema 1 de Abril de 2018 0 Comentários

Por trás da beleza e grandiosidade dos espetáculos, A Ópera de Paris também tem o seu lado mundano, como o de qualquer grande empresa. É o que nos mostra o brilhante documentário, de Jean-Stéphane Bron, aclamado e premiado no Festival Internacional de Cinema de Moscou.


Criada em 1669 por Pierre Perrin, em 360 anos de história a Ópera de Paris consolidou-se não só como a instituição cultural mais bem sucedida e famosa da França, mas também como um dos pilares da formação da identidade cultural francesa.
Jean-Stéphane Bron literalmente viveu toda uma temporada da Ópera e nos leva a participar de forma privilegiada das reuniões executivas, das seleções de artistas, dos ensaios e das noites de gala… E também a testemunhar paixões, vaidades, a luta pelo estrelato, o serviço pesado dos operários e as ameaças de greve.


O documentário é conciso e flui de forma natural e envolvente, característica não muito comum ao filmes do gênero. E tem cenas memoráveis como a emoção das crianças na escola que a Ópera de Paris mantém para alunos carentes.
Essa estadia de quase duas horas suntuoso Palácio Garnier, inaugurado em 1875, que abriga a Ópera de Paris, é absolutamente fascinante e enriquecedora. E você poderá desfrutá-la no Sala Cult, o espaço para o cinema independente e de arte do Paineiras Shoppíng.

Ficha Técnica
Título: A Ópera de Paris
Título original: L’opéra de Paris
Direção: Jean-Stéphane Bron
Roteiro: Jean-Stéphane Bron
Produção: Les Films Pelléas, Bande à Part Films
Fotografia: Blaise Harrison
Edição: Julie Lena
Gênero: Documentário
País: França
Ano: 2017
Duração: 110min
Distribuição: Imovision

Datas e Horários de Exibição no Sala Cult:
– 01 de Abril (domingo) às 16 e 19 horas
– 05 e 06 de Abril (quinta e sexta-feira) às 19 horas
– 07 de Abril (sábado) às 16 e 19 horas

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Me Chame Pelo Seu Nome, no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 27 de Março de 2018 0 Comentários

“Me Chame Pelo Seu Nome” teve 4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Canção e Melhor Roteiro Adaptado. Ficou só com o prêmio de Melhor Roteiro, entregue ao cultuado diretor inglês James Ivory, que assina a adaptação do romance homônimo de André Aciman.

O prêmio para James Ivory foi merecidíssimo. Prestes a completar 90 anos, o diretor de “Maurice”, “Uma Janela Para o Amor” e “O Retorno A Howard’s End”, já teve antes 3 indicações ao Oscar mas nunca tinha levado uma estatueta.


Mas apenas este Oscar para “Me Chame Pelo Seu Nome” parece meio injusto. Aliás só 4 indicações também foi pouco. O trabalho carregado de sensibilidade do diretor Luca Guadagnino, a maravilhosa direção de arte de Roberta Federico e a extasiante fotografia de Sayombhu Mukdeeprom também mereciam o reconhecimento da Academia.
O jornal El País disse que o Oscar não está preparado para um filme como “Me Chame Pelo Seu Nome”, mas independente do Oscar ele construiu uma carreira super bem sucedida nos maiores festivais de cinema do mundo, ganhou a atenção da mídia e conquistou um público que vai muito além do público gay.
Isso porque “Me Chame Pelo Seu Nome” é um filme sobre a descoberta do amor e passa longe do estereótipo de uma amor marcado pela negação, pela dor, pelo medo e pela opressão. Muito ao contrário. Segundo a revista Veja, “há tanta beleza neste filme que chega a dar vertigem”.


Começa pela beleza dos cenários, passa pela beleza dos protagonistas, entra na beleza da história em si e dos diálogos, tudo alinhavado por uma trilha espetacular que vai das canções originais escritas por Sufjan Stevens até uma miscelânia deliciosa que mistura Ryuichi Sakamoto, Giorgio Moroder e Bach.


A trama conta a história de um jovem americano (Armie Hammer) que vai passar o verão na Itália, hospedado na casa de férias de seu professor (Michael Stuhlbarg). É assim que ele conhece o filho do professor (Timothée Chalamet), um rapaz alguns anos mais jovem. A aproximação entre eles é gradativa e a descoberta do amor também se dá aos poucos e de forma muito natural.
E tudo acontece tendo como cenário a belíssima região da Lombardia, em pleno verão, misturando as belezas naturais a séculos de história. Como não amar?

“Me Chame Pelo Seu Nome” é o filme da semana no Moviecom Arte, com sessões nos dias 31 de março (sábado) e 1 de abril (domingo) às 11 horas, e no dia 3 de abril (terça-feira) às 14 horas.

Ficha Tecnica

Título original: Call Me By Your Name
Nacionalidades: França, Itália, EUA, Brasil
Gêneros: Drama, Romance
Ano de produção: 2017
Estréia: 18 de janeiro de 2018 (Brasil)
Duração: 2h 11 minutos
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: James Ivory e baseado no livro de André Aciman.
Produção: Luca Guadagnino, Naima Abed, Tom Dolby, Marco Morabito
Fotografia: Sayombhu Mukdeeprom
Editor: Walter Fasano
Design de produção: Samuel Deshors
Direção de arte: Roberta Federico
Figurino: Giulia Piersanti
Maquiagem: Fernanda Perez
Distribuidor: Sony Pictures

 

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The Square, A Arte da Discórdia

Postado porTemperos de Cinema 25 de Março de 2018 0 Comentários

O poeta russo Vladimir Maiakóvski disse que “A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo”, no entanto, muitas vezes o reflexo no espelho da arte é fundamental para perceber o que e o quanto é necessário mudar.
E é isso o que mostra e faz o filme “The Square, A Arte da Discórdia”, do sueco Ruben Östlund, expondo de forma brilhante, cruel e realista a hipocrisia da sociedade, tomando como ponto de partida a arte contemporânea e seu papel dentro dessa sociedade.

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O filme se passa na Suécia, país nórdico conhecido pela qualidade de vida, pelo alto nível cultural, pela educação de seu povo, pela ausência de preconceitos… sim, só que não. Para quem pensa que é só aqui no 3º mundo que as pessoas são capazes de apedrejar museus, “The Square” mostra que a hipocrisia e a ignorância é uma epidemia de proporções globais.
Destruindo aquela imagem vendida de país onde tudo é perfeito, esta obra mostra ainda as diferenças sociais, a violência e o preconceito que também existem na Suécia. As cenas dos moradores de rua e as que se passam nos subúrbios de Estocolmo são reveladoras. Como disse o nosso poeta Arnaldo Antunes, “miséria é miséria em qualquer canto”.

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Mas o foco principal de Ruben Östlund é a burguesia pseudo civilizada e culta. E ele não poupa ninguém. Mostra o papel da publicidade na propagação da cultura da violência, a imbecilidade dos novos profissionais de imprensa e a deturpação da informação, a mediocridade das classes sociais pretensamente culta e educadas mas que também são capazes de muitas violências, inclusive a violência da omissão.

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Há cenas hilárias, como uma que mostra os convidados de uma vernissage desesperados para atacar o buffet; cenas emblemáticas, como a da ativista no centro de Estocolmo perguntando aos pedestres se eles querem salvar uma vida, ao que eles respondem negativamente; e algumas cenas antológicas, como a cena do casal que briga pela posse do preservativo cheio de esperma após o sexo.

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O ponto alto do filme, no entanto é a performance de um artista durante um elegante jantar oferecido aos mantenedores de um importante museu de arte contemporânea. Ele representa uma mistura do Incrível Hulk (versão nórdica) com um troglodita e promove ataques cada vez mais violentos aos convidados. A tensão da cena vai crescendo vertiginosamente, deixando os presentes encurralados, com medo, de cabeça baixa e em silêncio tentando não chamar a atenção do selvagem. Quando a situação foge completamente ao controle dos organizadores e o artista parece ter sido dominado pelo personagem, a performance alcança seu objetivo: revelar os trogloditas disfarçados sob smokings e vestidos de seda.

Essa cena (inspirada em uma performance real do artista Oleg Kulik em 1990) é também uma profunda reflexão sobre os limites da arte. E depois de assisti-la confirmo minha convicção de que a arte não pode ter limites, principalmente porque a nossa hipocrisia não tem limites.
Qualquer pessoa com o mínimo de coerência e bom senso, sai do cinema com um reforçado sentimento de vergonha do alheio e de si próprio. Estamos todos nós ali representados em nossa mesquinhez, nossa pequenez e nossa hipocrisia.


A proposta do diretor ao nos colocar de frente para esse espelho é nos obrigar a reconhecer isso, assim como faz o personagem principal, o diretor do museu (brilhantemente interpretado pelo charmoso Claes Bang), que ao final da história assume e se desculpa por sua própria mediocridade.
Indicado ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro e ganhador da Palma de Ouro em Cannes, “The Square” é um filme obrigatório para os dias de hoje, sobretudo no Brasil onde a mediocridade e a hipocrisia nem mais se disfarçam.

(Resenha por Marco Antonio Andre)

Este é o filme que você pode assistir no Sala Cult nos dias 25 de março às 16 e 19 horas, 29 e 30 de março às 19 horas, e 31 de março às 16 e 19 horas.

O Sala Cult é um espaço no Paineiras Shopping, em Jundiaí, para o cinema independente, com curadoria de Fátima Augusto.

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Ficha Tecnica

  • Titulo original: The Square
  • Nacionalidades: Suécia, Alemanha, Dinamarca, França
  • Gênero: Comédia dramática
  • Ano de produção: 2017
  • Duração: 2h 22 minutos
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Ruben Östlund
  • Roteiro: Ruben Östlund
  • Produção: Katja Adomeit, Philippe Bober, Tomas Eskilsson, Dan Friedkin, Erik Hemmendorff, Agneta Perman, Bradley Thomas
  • Fotografia: Fredrik Wenzel
  • Edição: Jacob Secher Schulsinger, Ruben Östlund
  • Design de produção: Josefin Åsberg
  • Figurino: Sofie Krunegård
  • Estúdios: Plattform Produktion, Arte France Cinéma, Coproduction Office, Det Danske Filminstitut, Essential Filmproduktion GmbH, Film i Väst
  • Distribuição: Pandora Filmes
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Mudbound, Lágrimas sobre o Mississipi, no Moviecom Arte

Postado porTemperos de Cinema 21 de Março de 2018 0 Comentários

Se tem uma coisa que ficou bem nítida na festa do Oscar 2018 foi a oposição de Hollywood ao governo Trump e seu discurso racista, xenófobo, machista, homofóbico, etc, etc e etc.
E tudo aquilo que parece incomodar muito o presidente dos Estados Unidos estava super bem representado tanto no discurso dos filmes indicados quanto no discurso das celebridades que subiram ao palco para apresentar ou receber o prêmio.


As questões raciais sempre renderam excelentes filmes em Hollywood. Muitos chegaram a receber indicações e vários foram devidamente premiados. Este ano o tema foi magnificamente abordado em “Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi”, uma das críticas mais ferozes à questão racial na América do Norte.


Escrito e dirigido por Dee Rees (que merecia pelo menos ser a primeira mulher negra indicada ao Oscar de melhor direção), este filme foge às narrativas de seus antecessores ao traçar um paralelo entre a Segunda Guerra Mundial e guerra racial que acontecia no interior dos Estados Unidos, com sua trama centralizada no conflito entre duas famílias (uma negra e outra branca) que trabalham em uma mesma propriedade rural nos cafundós do Mississipi.

“‘Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi” teve 4 indicações ao Oscar (Fotografia, Roteiro Adaptado, Atriz Coadjuvante, e Música Original) e não levou nenhum, embora merecesse muito cada um deles e até outros aos quais não foi indicado. Mas o filme deixou sua marca, aliás várias.


Entre elas a indicação de Rachel Morrison ao Oscar de Melhor Fotografia, se tornando a primeira mulher indicada ao prêmio. E com todo o mérito pois seu trabalho em “Mudbound” é belíssimo.
Este é o filme da semana no Moviecom Arte, na série de filmes que marcaram o Oscar 2018. “Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi” será exibido nos dias 24 e 25 de março às 11 horas e no dia 27 às 14 horas.

Ficha Tecnica
Título: Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi”
Título original: Mudbound
Nacionalidade: EUA
Gênero: Drama
Ano de produção: 2017
Duração: 2h 14 minutos
Classificação: 16 anos
Direção: Dee Rees
Roteiro: Virgil Williams, Dee Rees, Hillary Jordan
Produção: Dee Rees, Evan Arnold, Carl Effenson, Sally Jo Effenson, Cassian Elwes, David Gendron, Poppy Hanks, Ali Jazayeri, Charles D. King, Charles D. King, Paul A. Levin
Trilha sonora: Tamar-kali
Fotografia: Rachel Morrison
Edição: Mako Kamitsuna
Design de produção: David J. Bomba
Direção de arte: Arthur Jongewaard, Nóra Takács
Figurino: Michael T. Boyd
Estúdios: Armory Films, ArtImage Entertainment, Black Bear Pictures, Elevated Films, MACRO, MMC Joule Films, Zeal Media
Distribuição: Diamond Films

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Uma Mulher Fantástica

Postado porTemperos de Cinema 18 de Março de 2018 0 Comentários

Em um dos pontos altos do Oscar 2018, marcado pela diversidade, a chilena Daniela Vega se tornou a primeira atriz transexual a participar da apresentação da cerimônia do Oscar. A protagonista do filme Uma Mulher Fantástica apresentou o cantor Sufjan Stevens, que interpretou Mistery of Love, da trilha de Me Chame Por Seu Nome. Linda, discreta e emocionada ela disse:“Quero convidar vocês a abrirem seus corações e seus sentimentos e sentirem a realidade. Vocês conseguem?” disse ela, emocionada.

O outro ponto alto foi quando ela voltou ao palco junto do diretor Sebastián Lelio para receber o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Definitivamente um marco na história do Oscar e do cinema, um grande passo na luta contra o preconceito e também uma resposta de Hollywood ao conservadorismo que ameaça a democracia em todo o mundo.

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Triângulos amorosos estão presente na literatura, cinema e na música desde sempre e esse é o ponto de partida do roteiro de “Uma Mulher Fantástica”, mas este filme vai muito além do drama passional e aborda de maneira muito contundente o preconceito. A mulher fantástica do filme de Sebastián Lelio é Marina, uma mulher transexual, garçonete e cantora de boate, que vive uma linda história de amor com um homem casado que abandona tudo para viver com ela.

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De amante à esposa oficial, ela vive por um curto tempo o que talvez fosse seu ideal de vida perfeita. Tudo se desfaz quando após uma noite de amor, seu companheiro morre. Começa então o calvário da personagem, que se torna suspeita de crime e passa por todo tipo de humilhação junto à polícia e a família do falecido.

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Sempre sóbria e discreta, dona de uma força sobrenatural expressa em seu olhar, Marina não se vitimiza diante da intolerância, ignorância e hipocrisia. Interpretada por Daniela Vega uma atriz e cantora lírica que também é trans, o que confere à personagem uma dimensão que supera a ficção.

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Este é o filme que você poderá assistir no Sala Cult neste domingo, 18 de março, às 16 e 19 horas, na quinta e sexta-feira 22 e 23 de março às 19 horas e no sábado 24 de março às 16 e 19 horas.

Ficha Técnica
Título: Uma Mulher Fantástica
Título Original: Una Mujer Fantástica
Direção: Sebastián Lelio
Elenco: Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco e Aline Küppenheim
País de Origem: Chile
Gênero: Drama
Ano: 2017
Classificação: 14 anos
Distribuição: Imovision